A pesquisa artística de Beatriz Monteiro orbita em torno da fotografia como espaço dual de memória e esquecimento: um espaço insuficiente e subjetivo, sujeito a ocultações, distorções e ressignificações.

Em gestos de caráter arqueológico, Beatriz se debruça sobre o passado que permanece, seja ele um lugar, um objeto ou uma imagem. Ela escava seus arquivos fotográficos, revisita os sítios arqueológicos de sua história familiar e coleta pistas, rastros, vestígios.

Em paralelo, a artista lança também seu olhar para a natureza, não uma natureza vista e pensada como paisagem, mas sim como contemplação e emoção. A partir do natural, produz imagens etéreas, suspensas no tempo e no espaço.

Criando diálogos entre suas pequenas arqueologias e seus achados naturais, Beatriz tece poesias visuais sobre os afetos humanos, suas vidas, mortes e frustrações. Poesias que alargam o passado e seus suportes através da energia criadora de relacionar imagens e se relacionar com elas, intervindo, re-enquadrando, sobrepondo, justapondo. Para a artista, é desse processo relacional que nasce qualquer possibilidade de transcendência das imagens-impressão. E é exatamente isso que lhe interessa.

Beatriz realizou sua primeira exposição individual em 2019, no MIS-SP e as obras expostas passaram a integrar o acervo do museu. É formada em Fotografia pela Panamericana Escola de Arte e Design e participante dos grupos de estudo e mentoria do Ateliê Foto, com Eder Chiodetto e Fabiana Bruno, e da artista visual Sylvia Sanchez.

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